Entre estrada, mudanças e novas experiências, a banda transforma a própria história em ponto de partida para uma nova fase

Recomeçar é uma palavra bonita até o momento em que você precisa fazer isso de verdade.
Porque recomeçar não significa voltar ao ponto de partida. Significa olhar para tudo aquilo que aconteceu, reconhecer as marcas deixadas pelo caminho e, ainda assim, decidir continuar.
É justamente nesse lugar que a TREVA LVCE encontra seu novo momento.
Todos nós passamos por evoluções. Mudamos de direção, acumulamos experiências e, em algum momento, percebemos que já não somos exatamente as mesmas pessoas de quando começamos. Com as bandas não é diferente.
A TREVA também não é mais a mesma banda que começou a tomar forma durante a pandemia.
Foi naquele período, quando o mundo estava paralisado e boa parte da cena tentava entender como continuar existindo, que Felipe Ribeiro decidiu colocar a banda em movimento. O que começou como TREVA foi ganhando corpo, repertório, estrada e novas experiências até chegar ao momento atual, em que o próprio nome passa por uma transformação.
A história dessa evolução passa por Em Própria Razão, lançado em 2023. O álbum reuniu dez faixas produzidas por Fernando Sanches e Chris Wiesen e lançadas pela El Rocha Records. Entre folk, blues e punk rock, o trabalho estabeleceu uma primeira fotografia da identidade da banda, que continuaria sendo construída nos anos seguintes.
De lá para cá, vieram outras camadas.
A estrada passou a fazer parte dessa história. A TREVA se apresentou em São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, dividindo palco com nomes como Buzzcocks, Helmet, T.S.O.L., Adolescents, H2O, Dead Fish, Menores Atos e Cólera. Também passou por espaços importantes da cena, como Hangar 110, Fabrique Club, Cine Jóia, Carioca Club e Opinião, em Porto Alegre.
Mas a evolução da banda também pode ser percebida em quem está dentro dela.
Uma banda feita de caminhos diferentes

Felipe Ribeiro está no centro dessa história desde o início. Atuante na cena independente desde o fim dos anos 1990, foi fundador e baterista do Confronto até 2017 e, em 2020, criou a TREVA LVCE, assumindo vocais e guitarras. A experiência acumulada ao longo desses anos também passa pela produção musical, com trabalhos junto a nomes como Crypta e Ratos de Porão.

Ao seu lado, Eduardo Moratori traz outra parte importante dessa história. Baixista e atuante na cena independente brasileira desde os anos 1990, também fez parte do Confronto desde os primeiros momentos até o encerramento da banda, em 2017. Amigo de longa data de Felipe Ribeiro, tornou-se membro fundador da TREVA LVCE e um dos pilares do projeto.
A formação atual ganhou novas camadas em 2025.

Gian Coppola, integrante da cena punk rock e hardcore brasileira desde os anos 1990, passou pela clássica Kangurus in Tilt e também integra O Inimigo. Ele entrou para a TREVA LVCE em janeiro de 2025, trazendo uma trajetória construída em diferentes momentos da música independente.

Poucos meses depois, em maio, Felipe Skid passou a integrar a banda como guitarrista e backing vocal. Músico desde os 12 anos e ex-integrante da Sick Dogs in Trouble, Skid acrescentou outras referências ao grupo, influenciado por guitarristas como Dregen, do Hellacopters, e Chris Robertson, do Black Stone Cherry.
São quatro trajetórias que não começaram juntas.
E talvez seja justamente isso que torne a formação atual tão interessante.
Existe uma história anterior em cada integrante, mas nenhuma delas precisa desaparecer para que a TREVA LVCE exista. O que acontece agora é o encontro dessas experiências dentro de uma mesma identidade.
A banda não está começando do zero. Está começando outra etapa.
As referências continuam passando pelo punk, pelo folk e pelo blues. Social Distortion, Bad Religion e CPM 22 aparecem entre as influências mais diretas, enquanto Johnny Cash, Chuck Ragan e City and Colour ajudam a construir uma dimensão mais melódica. Mas a proposta não está em reproduzir essas referências. Está em absorvê-las e transformá-las a partir das experiências dos próprios músicos.
O passado está presente.
Só não está no comando.
Talvez seja justamente por isso que a mudança de TREVA para TREVA LVCE tenha um significado que ultrapassa a questão estética. A banda não abandona a escuridão que marcou sua origem. A luz passa a representar aquilo que permaneceu depois dela, a capacidade de criar, recomeçar e encontrar sentido.
É desse lugar que surge “Recomeço”.

A faixa chega no dia 18 de agosto, em todas as plataformas digitais, acompanhada de um videoclipe no YouTube. Será o primeiro single de um EP de inéditas previsto para 2027 e marca uma nova etapa dentro da história da banda.
O título pode sugerir um retorno ao ponto de partida. Mas, olhando para tudo o que aconteceu até aqui, parece representar outra coisa. Não começar novamente como se nada tivesse acontecido, mas seguir carregando aquilo que foi vivido.
Essa relação com a própria história aparece de maneira ainda mais pessoal na composição.
Para Felipe Ribeiro, “Recomeço” parte de experiências que atravessam sua própria trajetória. Criado na Baixada Fluminense, na periferia do Rio de Janeiro, ele encontrou na música uma forma de enfrentar dificuldades e continuar seguindo. Ao escrever a faixa, o músico revisitou esse caminho e transformou a canção também em uma espécie de reconhecimento por tudo o que conseguiu atravessar.
“Essa música fala muito sobre a minha trajetória. Cresci na Baixada Fluminense, na periferia do Rio de Janeiro, e foi através da música que encontrei forças para enfrentar os desafios e seguir em frente.
Ao escrever essa letra, refleti sobre tudo o que vivi. De certa forma, ela é um agradecimento por ainda estar de pé e pela chance de recomeçar a cada amanhecer.”
A fala ajuda a colocar “Recomeço” dentro de uma perspectiva maior. Antes mesmo de conhecermos a música, existe uma história por trás dela. Uma história que começa em um período de paralisação, passa pelo primeiro álbum, ganha estrada, encontra novas pessoas e chega agora a uma banda diferente daquela que começou alguns anos atrás.
Outro movimento importante acompanha essa nova fase. Em 2026, a TREVA LVCE passou a integrar o catálogo da Algohits, ampliando sua estrutura e presença dentro da música independente brasileira. A parceria também aproxima a banda de artistas como Zander, Pense, Metade de Mim, Gritando HC e Deb and The Mentals, nomes que dialogam com parte do universo musical construído pelo grupo.
Ainda não ouvimos “Recomeço”.
E essa matéria também não pretende antecipar o que a música vai entregar.
O que existe, neste momento, é a expectativa por descobrir como tudo aquilo que foi vivido pela TREVA LVCE vai aparecer nesse novo capítulo.
Até lá, vale olhar para o caminho.
Porque antes de qualquer recomeço existe uma história. E a TREVA LVCE já percorreu bastante estrada para chegar até aqui.
https://www.instagram.com/trevalvce







Deixe uma resposta