
Há datas que parecem escolhidas por ironia. Outras, por ritual. Lançar um tributo ao Deicide em uma sexta-feira 13 pertence claramente à segunda categoria. A Carcinosi transforma o simbolismo da data em combustível e apresenta sua própria leitura de “Sacrificial Suicide”, clássico que ajudou a moldar a face mais extrema do death metal no início dos anos 90.

A proposta não é modernizar o passado, tampouco domesticá-lo. A banda gaúcha mergulha na essência da faixa e a devolve com seu próprio peso específico: guitarras afiadas como lâminas, bateria pulsando com violência controlada e um vocal que não interpreta — ataca. O resultado é uma versão que respeita a brutalidade original, mas carrega a identidade que a Carcinosi consolidou ao longo de sua trajetória.
O lançamento chega acompanhado de uma Studio Performance Session disponibilizada no YouTube do grupo. A escolha pelo formato cru reforça o conceito: nada de encenações elaboradas, apenas execução direta, energia concentrada e foco absoluto na música. É death metal no estado mais honesto possível.
A gravação foi realizada nos estúdios From Hellcords e Black Stork, garantindo um registro orgânico e agressivo, sem polimentos excessivos. A arte da capa, assinada por Marcos Miller, amplia a atmosfera sombria do projeto, dialogando com o imaginário extremo que sempre acompanhou tanto o Deicide quanto a própria Carcinosi.
Sobrevivência e identidade
Formada em 1996, em meio à efervescência do metal extremo no Sul do Brasil, a Carcinosi surgiu com a intenção de ir além da repetição de fórmulas. Nos primeiros anos, construiu sua reputação nos palcos do Brasil e do Uruguai, lançando demos que circularam com força no underground.
Após um período de silêncio iniciado em 2003, a banda reapareceu movida por inquietação artística. A retomada definitiva aconteceu anos depois, mantendo Tiago Vargas como elo entre as fases da história do grupo. Desde então, a proposta tem sido clara: preservar a brutalidade do death metal clássico enquanto desenvolve uma assinatura própria.
O álbum Resumption, lançado em 2019, simbolizou esse retorno com contundência. Já em 2022, o registro ao vivo Live Metal Sul capturou a banda em performance intensa, reafirmando sua força no palco.
Atualmente composta por:
- Tiago Vargas — vocal e baixo
- Victor Nichele — guitarra
- Léo Boeira — bateria



a Carcinosi mantém um equilíbrio entre tradição e renovação. Suas letras exploram conflitos humanos, visões distorcidas da realidade, cenários apocalípticos e atmosferas que transitam entre o concreto e o surreal — sempre guiadas por uma sonoridade extrema, mas carregada de intenção.
Um tributo que soa como declaração
Regravar “Sacrificial Suicide” não é apenas revisitar um clássico. É assumir publicamente as influências que ajudaram a formar a espinha dorsal da banda. Ao mesmo tempo, é uma forma de reafirmar que o death metal, quando executado com convicção, permanece relevante e feroz.
Mais do que uma homenagem, o novo single funciona como manifesto: respeito às raízes, identidade própria e fidelidade à brutalidade que fez do gênero um território inegociável.








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