
Enquanto São Paulo concentra parte das comemorações, Brasília também se firma como um dos eixos centrais dos 20 anos do Punk na Páskoa, festival que há duas décadas movimenta a cultura punk independente no Brasil. No dia 4 de abril, o Centro Cultural Infinu recebe uma edição que reforça a importância histórica da capital federal dentro do movimento.
Com um line-up formado por nomes fundamentais da cena local e nacional, o evento em Brasília vai além do caráter comemorativo. Além da música, carrega também um viés social importante. A entrada solidária, mediante a doação de uma barra de chocolate, reforça o compromisso com ações comunitárias e mantém viva a relação histórica entre a cena independente e iniciativas de impacto direto.
A capital, reconhecida por sua tradição no punk e no hardcore desde os anos 1980, recebe bandas que ajudaram a construir essa trajetória e que continuam ativas, produzindo e circulando dentro e fora do país.
Brasília como território de resistência
Muito além da imagem institucional, Brasília sempre abrigou uma das cenas mais intensas e politizadas do país. Desde os primeiros movimentos punk na década de 1980, a cidade construiu uma identidade própria, marcada por crítica social, independência e produção coletiva.
O Punk na Páskoa se encaixa diretamente nessa história, não como um evento isolado, mas como continuidade de um circuito que resiste há décadas e se reinventa sem perder sua essência.
A edição de 20 anos reforça essa conexão ao reunir no mesmo palco bandas de diferentes gerações, todas ligadas pelo mesmo compromisso com autenticidade e resistência.
Line-up que carrega o peso da cena
O festival reúne bandas que representam diferentes vertentes do punk, todas com identidade forte e presença de palco marcante.
ARD, discurso direto e alcance global
A ARD é uma das bandas mais veteranas e respeitadas do punk rock nacional.
Com uma carreira internacional sólida, o grupo já excursionou pelo Brasil, Europa, Rússia e até Mongólia, levando sua sonoridade e posicionamento para diferentes partes do mundo. Suas letras abordam temas urgentes como meio ambiente, política e guerra, sempre de forma direta e sem concessões.
Em 2024, lançaram o álbum Sua Dor é a Minha Dor, com 17 faixas que reafirmam uma discografia extensa, construída ao longo de anos com LPs, CDs e participações em coletâneas internacionais.
D.F.C., caos, ironia e crítica social
O D.F.C. segue como um dos nomes mais irreverentes do hardcore brasileiro.
Conhecida por misturar humor ácido e sarcástico com críticas sociais pesadas e diretas, a banda construiu uma identidade única dentro do gênero. Com décadas de estrada, mantém a mesma energia caótica que a transformou em referência absoluta no cenário nacional.
No palco, a entrega continua intensa, sem filtro e sem suavizar discurso.
Detrito Federal, a base da cena candanga
Formada em 1983, a Detrito Federal é uma das pioneiras do punk em Brasília.
Carregando a bagagem de quem viu o movimento nascer e se consolidar no coração do país, a banda mantém até hoje a essência da resistência que marcou o início da cena na capital.
Mais do que presença no line-up, representa a raiz.
Os Cabeloduro, energia coletiva e identidade marcante
Os Cabeloduro são um dos nomes mais emblemáticos da história do punk rock candango.
A banda equilibra rebeldia, peso e refrões marcantes, criando uma conexão imediata com o público. Seus shows são conhecidos pela energia e pelo caráter participativo, onde o coro coletivo se torna parte central da experiência.
É intensidade compartilhada.
Grinders, velocidade e cultura de rua
Os Grinders, veteranos do skate punk paulista, trazem para o palco a velocidade e a atitude das pistas dos anos 80.
Sua sonoridade é fundamental para entender a ligação entre o skate e o hardcore no Brasil, unindo música e estilo de vida de forma orgânica e direta.
É movimento, impulso e barulho sem freio.
Solidariedade como prática, não discurso
Um dos pilares do evento está na sua proposta de entrada solidária. Para acessar o festival, basta levar uma barra de chocolate, que será destinada a ações sociais.
A iniciativa reforça uma característica histórica da cena independente, a construção coletiva. O público deixa de ser apenas espectador e passa a fazer parte de algo maior.
Mais do que celebrar, continuar
A edição de 20 anos do Punk na Páskoa em Brasília não é apenas sobre revisitar o passado.
É sobre afirmar que a cena continua ativa, relevante e em movimento.
Entre riffs rápidos, letras afiadas e encontros reais, o festival mostra que o underground segue vivo exatamente onde sempre esteve, na base, na resistência e na vontade de fazer acontecer.
Serviço
📍 Centro Cultural Infinu, 506 Sul, Brasília
📅 4 de abril
⏰ 20h
🎟 Entrada, 1 barra de chocolate








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