
Há shows que são apenas apresentações. Outros são encontros. E alguns carregam algo maior — história, memória e posicionamento. É nesse terceiro lugar que se encaixa a chegada do Punho de Mahin a Porto Alegre.
No dia 10 de abril, o grupo faz sua primeira apresentação na capital gaúcha, ocupando o palco do Caos Bar em um momento que marca não só uma estreia, mas a abertura de um novo ciclo. A banda chega lançando o álbum “Entre a Penitência e a Ruptura”, trabalho que já nasce com forte expectativa e que amplia ainda mais a proposta artística do projeto.
O Punho de Mahin não é uma banda comum. Sua construção sonora vai além da estética — é carregada de significado. Misturando peso, elementos percussivos e uma abordagem profundamente conectada à ancestralidade, o grupo transforma cada apresentação em um ato de expressão coletiva. Existe ali uma ligação direta com memória, identidade e resistência. Quando o som começa, não é só música acontecendo — é uma narrativa sendo invocada.
Essa intensidade também se reflete na presença de palco. O Punho não trabalha com distância. O que acontece ali é direto, físico, quase ritualístico. É o tipo de show que não se assiste de fora — se vive de dentro.
A passagem por Porto Alegre integra o início da Rota dos Pampas 2026, iniciativa que busca conectar casas de show e fortalecer a circulação de artistas independentes pelo Rio Grande do Sul. Um movimento necessário, orgânico e alinhado com o espírito de quem constrói a cena no dia a dia.
E a noite não vem sozinha.
Dividindo o palco, duas bandas que representam com força o underground local:
A Punkzilla! chega com sua abordagem direta, crua e sem rodeios. Punk no sentido mais essencial da palavra — energia, atitude e impacto imediato. É som feito para a pista, para o corpo em movimento, para o contato direto. Não tem excesso. Tem urgência.
Já os Inadimplents trazem um peso diferente, carregado de identidade própria. A banda trabalha bem a mistura entre agressividade e construção, criando uma sonoridade que dialoga com o punk e o hardcore, mas com personalidade clara. É som de quem entende o lugar que ocupa e usa isso como combustível.
O resultado é uma noite que não se apoia em um único ponto, mas em um conjunto de forças que se somam. Três propostas distintas, conectadas pela mesma essência: fazer acontecer sem concessão.
O Caos Bar, por sua vez, não é apenas o palco — é parte da experiência. Um espaço que já carrega em sua história a construção da cena alternativa em Porto Alegre, funcionando como ponto de encontro, troca e resistência.
Com ingressos acessíveis e espírito independente, o evento reforça algo que o underground nunca deixou de provar: a cena se sustenta na base, na conexão direta e na vontade de fazer.
SERVIÇO
Punho de Mahin em Porto Alegre
10 de abril (sexta-feira)
Caos Bar — Rua João Alfredo, 701 — Cidade Baixa
Lotes:
R$ 30 (promo)
R$ 40 (2º lote)
R$ 50 (3º lote)
R$ 60 (na hora)
Apoio: B.I.L. — Bandas Independentes Locais
Quando o punho se ergue, não é só presença.
É memória, é identidade, é resistência em movimento.








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