
24 de julho de 2026. Sexta-feira. O frio típico do inverno paulistano e o céu carregado criavam o cenário perfeito para uma noite especial. Às 20h, no palco do Sesc Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, Wendel, Val, Fábio e Alonso — que substituiu Pierre nesta apresentação — deram início a mais um capítulo da história do Cólera, uma banda que segue fazendo da música punk um instrumento de resistência e consciência.
Prestes a completar 47 anos de história, o Cólera entregou mais uma apresentação memorável no Sesc Santo Amaro. Com a mesma energia e convicção que marcaram sua trajetória desde o fim da década de 1970, a banda mostrou por que continua sendo uma das maiores referências do punk brasileiro. Um dos aspectos mais marcantes de seus shows é a diversidade do público: geração após geração, fãs de todas as idades dividem o mesmo espaço, cantam as mesmas músicas e mantêm vivo um legado que atravessa décadas sem perder sua força.

Substituindo Pierre nesta apresentação, Alonso Góes mostrou toda a sua experiência e versatilidade no palco. Baterista, técnico de som e roadie, ele construiu uma sólida trajetória dentro do punk rock e do underground brasileiro, participando de diversos projetos ao longo dos anos. Entre eles, destaca-se o Combat Rock, tributo ao The Clash que reuniu músicos de peso da cena nacional, como Clemente Nascimento, Mingau e Ari Baltazar, mantendo vivo o legado de uma das bandas mais influentes da história do punk.

O repertório da noite foi um presente para os fãs. O Cólera executou, na íntegra, as 14 faixas do clássico Pela Paz em Todo Mundo: “Medo”, “Funcionários”, “Somos Vivos”, “Alternar”, “Multidões”, “Direitos Humanos”, “Guerrear”, “Vivo na Cidade”, “Humanidade”, “Alucinado”, “Continência”, “Não Fome”, “Adolescente” e “Pela Paz”. Música após música, a banda reviveu um dos álbuns mais importantes da história do punk brasileiro, provando que sua mensagem permanece tão necessária e atual quanto no dia em que foi lançada. Cada verso foi cantado em coro pelo público, transformando o Sesc Santo Amaro em uma verdadeira celebração da resistência, da consciência e do legado deixado por Redson.

Como resenhista e fã, fui ver a banda que mais vi na vida, já perdi as contes de quantos shows dos caras já vi. O Cólera nunca decepciona seus fãs, esse noite foi mais uma vez a prova disso, a zona sul ferveu numa noite de inverno, corações foram tocados e almas foram lavadas.
Viva Cólera! Redson Vive! …E QUE ESSE GRITO NUNCA SEJA EM VÃO!
Texto: Marcelo Kiss
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