Com casa praticamente lotada, o Phornax encerrou sua participação na turnê brasileira do Nazareth com uma apresentação segura e muito bem recebida pelo público, antes de a lendária banda escocesa transformar o Opinião em um grande coro ao som de clássicos que atravessam gerações.

Algumas noites vão além de um simples show. Elas se transformam em encontros entre gerações, em celebrações da história do rock e em momentos capazes de reafirmar por que determinadas bandas permanecem relevantes mesmo depois de mais de cinco décadas de estrada.
Foi exatamente isso que aconteceu na noite de 26 de julho, no Opinião, em Porto Alegre.
Muito antes da primeira nota soar pelos amplificadores, a atmosfera já indicava que aquela seria uma apresentação especial. Na fila formada diante da casa, predominavam camisetas antigas, casais que cresceram ouvindo o Nazareth, grupos de amigos relembrando shows passados e fãs que aguardavam, talvez há anos, uma nova oportunidade de ver a banda ao vivo. A maioria do público ultrapassava os 40 anos, mas também era possível encontrar jovens curiosos para testemunhar de perto um dos maiores nomes da história do hard rock.
O Opinião encheu aos poucos. E essa construção fez toda a diferença para a primeira banda da noite.
PHORNAX CONFIRMA O BOM MOMENTO E CONQUISTA O PÚBLICO MAIS UMA VEZ
Abrir um show do Nazareth já representa um desafio considerável. Fazer parte de quatro apresentações consecutivas da turnê brasileira é uma conquista ainda maior.

Depois de dividir o palco com os escoceses em São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba, o Phornax encerrou essa sequência justamente diante do público de sua cidade, consolidando um dos momentos mais importantes de sua trajetória.
Formado por Cristiano Poschi (vocal), Eduardo Martinez e Deivid Moraes (guitarras), Sfinge Lima (baixo) e Maurício “Bomba” (bateria), o quinteto mostrou por que vem conquistando espaço entre os principais nomes do heavy metal gaúcho. A experiência adquirida ao longo da turnê ao lado do Nazareth ficou evidente na segurança com que a banda ocupou o palco do Opinião.

Quando os músicos subiram ao palco, aproximadamente metade da capacidade do Auditório Opinião já estava ocupada. A introdução instrumental “Forged in Metal” preparou o ambiente para a entrada definitiva da banda com “Hell’s Paradise”, dando início a uma apresentação marcada pela segurança e pela confiança de quem sabia exatamente a oportunidade que tinha em mãos.

Na sequência vieram “Dare of Destruction”, “Seeds of Strife”, “A Matter of Time”, “Ghosts from the Past” e “Between Fear and Hope”, formando um repertório que apresentou diferentes momentos da identidade musical do grupo.
Sem adaptar sua proposta para conquistar um público formado, em sua maioria, por fãs do Nazareth, o Phornax fez exatamente aquilo que se espera de uma banda em ascensão: mostrou personalidade.
Um dos momentos mais marcantes aconteceu durante “Final Beat”, quando a tradicional participação da dançarina Aline Mesquita voltou a integrar o espetáculo.

Sua performance, já conhecida pelos fãs da banda, acrescentou um componente visual que tornou a música um dos pontos altos da apresentação, sendo recebida com entusiasmo pelo público.
À medida que o show avançava, mais pessoas ocupavam a pista do Opinião. Quando o Phornax deixou o palco, a casa já estava praticamente lotada, evidenciando que a banda não apenas encontrou um público atento, mas também conquistou respeito diante de uma plateia exigente.
Nos bastidores, registrados pela equipe da Cogumelo em Cena, a concentração dos músicos contrastava com a energia demonstrada minutos depois sobre o palco. A missão de abrir quatro apresentações para uma das maiores bandas da história do hard rock foi cumprida com competência e personalidade.








QUANDO AS LUZES SE APAGARAM, O OPINIÃO VOLTOU ALGUMAS DÉCADAS NO TEMPO
Pouco depois, as luzes diminuíram e o Nazareth entrou em cena sob uma recepção calorosa.
Os primeiros acordes de “Telegram” bastaram para provocar a primeira grande explosão da noite.
Na sequência vieram “Miss Misery”, “Razamanaz”, “Shanghai’d in Shanghai”, “Madness”, “Dream On” e “Holiday”, estabelecendo rapidamente uma conexão entre banda e público.
Não havia necessidade de grandes efeitos visuais ou cenários elaborados.
A força do espetáculo estava exatamente onde sempre esteve: nas músicas.
Mais de cinquenta anos após sua formação, o Nazareth continua demonstrando por que construiu uma das carreiras mais respeitadas da história do hard rock.
GIANNI PONTILL HONRA O LEGADO SEM VIVER À SOMBRA DE DAN McCAFFERTY
Substituir uma voz como a de Dan McCafferty parecia uma missão impossível.
Carl Sentance, entretanto, mostra a cada apresentação que compreende perfeitamente seu papel.
Em vez de tentar reproduzir cada detalhe do vocalista histórico, o cantor preserva a essência das composições enquanto imprime personalidade própria às interpretações.
O resultado é natural.
Sentance não tenta competir com a memória de McCafferty.
Prefere manter vivo o legado do Nazareth olhando para frente, e essa escolha funciona.
Sua presença de palco segura e seu desempenho vocal sustentaram toda a apresentação sem que, em nenhum momento, a banda parecesse depender exclusivamente da nostalgia.
UM REPERTÓRIO QUE PASSEIA POR TODA A HISTÓRIA DA BANDA
Ao longo de aproximadamente noventa minutos, o Nazareth conduziu o público por diferentes fases de sua carreira.
Além da abertura com “Telegram”, passaram pelo palco músicas como “Miss Misery”, “Razamanaz”, “Shanghai’d in Shanghai”, “Dream On”, “Holiday”, “This Flight Tonight”, “Light Comes Down”, “Whiskey Drinkin’ Woman”, “Beggars Day” e “Changin’ Times”.
Longe de construir um show baseado apenas em sucessos radiofônicos, o grupo apresentou um repertório equilibrado, valorizando diferentes momentos de sua discografia e recompensando os fãs que acompanham sua trajetória há décadas.
Essa escolha tornou a apresentação dinâmica e mostrou uma banda confortável em revisitar toda a própria história.
“HAIR OF THE DOG” E “LOVE HURTS” TRANSFORMARAM O OPINIÃO EM UM GRANDE CORO
Todo grande show possui aqueles momentos em que palco e plateia deixam de ocupar espaços diferentes.
No Opinião, isso aconteceu de maneira intensa em “Hair of the Dog”.
Logo nos primeiros riffs, milhares de vozes acompanharam praticamente toda a música, transformando o auditório em um enorme coro.
Mas o ápice da noite ainda estava por vir.
Quando começaram os primeiros acordes de “Love Hurts”, a reação foi imediata.
Poucas músicas conseguem atravessar tantas gerações como esse clássico lançado há quase meio século. Durante boa parte da execução, a voz do público praticamente se sobrepunha ao sistema de som da casa, criando um daqueles momentos que dificilmente podem ser reproduzidos em gravações.
Era impossível olhar para a plateia sem encontrar pessoas cantando emocionadas.
Depois dos aplausos, o Nazareth retornou ao palco para o bis com “Turn On Your Receiver”, “Where Are You Now” e “Go Down Fighting”, encerrando uma apresentação que reafirmou o peso de seu legado.
NAZARETH E PHORNAX: UMA NOITE QUE CELEBROU O ROCK EM DIFERENTES GERAÇÕES
Mais do que um encontro entre uma banda histórica e seus fãs, a noite de 26 de julho mostrou como diferentes momentos do rock podem coexistir no mesmo palco.
De um lado, o Phornax, vivendo um dos capítulos mais importantes de sua carreira ao acompanhar o Nazareth em quatro cidades brasileiras e mostrando maturidade diante de um público numeroso.
Do outro, o Nazareth, provando que grandes canções não envelhecem e continuam emocionando gerações inteiras.
A excelente recepção ao Phornax e a resposta calorosa dedicada ao Nazareth deixaram claro que o público porto-alegrense continua valorizando tanto a preservação do legado quanto o fortalecimento da cena atual.
Ao final da noite, ninguém saiu do Opinião apenas depois de assistir a dois shows.
Saiu depois de participar de uma verdadeira celebração da história do rock.
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