
No último dia 24 de julho, o Cogumelo em Cena conversou com Rodrigo, vocalista do Pagan Throne. O papo percorreu quase três décadas de underground, o processo criativo por trás de Terra Dourada e a expectativa da banda para a apresentação no Festival Aliança Negra.
Manter uma banda ativa por quase trinta anos no metal extremo exige muito mais do que técnica ou discos pesados. Exige personalidade. No caso do Pagan Throne, essa identidade nasceu de uma proposta pouco comum, transformar história, mitologia e culturas ancestrais em parte fundamental da própria música.
Durante a conversa, Rodrigo relembrou a caminhada do grupo, que nasceu em 1998 com outro nome e outra formação. No início, a sonoridade carregava fortes influências do death metal. A mudança de direção veio quando a banda adotou o nome Pagan Throne e passou a explorar o black metal, tendo o paganismo e a pesquisa sobre antigas civilizações como base para sua identidade artística.
A partir daí, cada disco se tornou um mergulho em um universo diferente. Povos nórdicos, Egito Antigo, Roma e Grécia serviram de inspiração para letras que vão muito além da fantasia. A proposta sempre foi tratar esses temas com pesquisa, respeito e profundidade, convidando o ouvinte a viajar por diferentes momentos da história.
Essa imersão não acontece apenas nas letras. O Pagan Throne constrói suas músicas em camadas, incorporando instrumentos, arranjos e elementos característicos de cada cultura retratada. Riffs pesados dividem espaço com orquestrações e sonoridades tradicionais, criando uma atmosfera que amplia a experiência de quem escuta.
Toda essa busca encontrou seu ponto mais marcante em Terra Dourada.

Depois de anos voltando o olhar para civilizações de diferentes partes do mundo, a banda decidiu contar a própria história. O álbum aborda personagens históricos, povos originários, a escravidão, a independência e diversos acontecimentos que marcaram a formação do Brasil. Ao mesmo tempo, incorpora elementos da musicalidade brasileira ao metal extremo, reforçando uma identidade nacional que sempre esteve presente nas ideias do grupo.
Escrever esse trabalho em português também representou um desafio. Rodrigo contou que buscou referências fora do metal para compreender melhor a musicalidade da língua portuguesa e encontrou em Tim Maia uma de suas principais inspirações para construir versos naturais, sem abrir mão da intensidade característica da banda.
A aposta deu resultado.
Durante uma apresentação no Rio de Janeiro, Rodrigo viveu um dos momentos mais marcantes da carreira. Pela primeira vez, viu o público cantar músicas que contavam a história do próprio país, uma resposta que transformou Terra Dourada em um verdadeiro divisor de águas para o Pagan Throne.
E a caminhada está longe de terminar.
A banda já trabalha em um novo álbum inspirado novamente na história brasileira. Desta vez, o foco estará no Nordeste e em episódios históricos pouco discutidos, dando continuidade à proposta iniciada em Terra Dourada.
A conversa também passou pelo Festival Aliança Negra. Rodrigo celebrou o convite e destacou a importância de eventos que fortalecem o metal extremo no Rio de Janeiro, especialmente em um cenário que ainda busca se recuperar dos impactos da pandemia. Para a apresentação, o Pagan Throne prepara um repertório centrado em Terra Dourada, além da performance intensa que já se tornou uma das marcas registradas da banda.
No encerramento, Rodrigo deixou uma mensagem que resume a essência de quem vive o underground. Para ele, fortalecer a cena depende da participação de todos. Frequentar shows, adquirir o material das bandas, conversar com os músicos e apoiar os eventos continuam sendo atitudes fundamentais para manter o metal extremo nacional vivo.
Muito além de construir uma discografia baseada em pesquisa histórica, o Pagan Throne demonstra que o metal extremo também pode ser um instrumento de memória, identidade e valorização cultural. Enquanto muitos seguem caminhos já conhecidos, a banda continua escrevendo sua própria história, unindo peso, pesquisa e autenticidade em uma trajetória construída ao longo de quase três décadas.
A entrevista completa com Rodrigo já está disponível no canal do Cogumelo em Cena. Assista ao bate papo na íntegra, conheça mais sobre o processo criativo da banda e descubra os próximos passos de uma das formações mais consistentes do metal extremo nacional.








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