
Em entrevista ao Cogumelo em Cena, o baterista do Torture Squad fala sobre mais de três décadas de carreira, o décimo álbum de estúdio, a transformação da cena e o retorno ao Rio de Janeiro para o Festival Aliança.
Enquanto prepara seu décimo álbum de estúdio e retorna ao Rio de Janeiro para integrar o line up do Festival Aliança, a banda segue escrevendo uma trajetória iniciada há mais de três décadas sem abrir mão da identidade que a colocou entre os principais nomes do metal extremo brasileiro.

Durante entrevista ao Cogumelo em Cena, o baterista Amilcar Christófaro falou sobre o momento vivido pelo grupo, relembrou histórias da estrada, comentou o processo criativo do novo disco e refletiu sobre um tema que atravessou praticamente toda a conversa: a importância de preservar a essência de uma banda em um cenário que mudou completamente desde os anos 1990.
Para ele, embora muita coisa tenha mudado ao longo desse período, existe algo que permanece exatamente igual.
“Aquela chama, o amor pela música, o amor pela bateria, o amor por estar fazendo show… continua exatamente o mesmo. Hoje eu tenho a experiência, mas continuo sentindo a mesma paixão.”
Essa talvez seja a frase que melhor resume o atual momento do Torture Squad.
Depois de mais de trinta anos de estrada, o grupo continua olhando para frente. Em vez de falar sobre legado como um ponto de chegada, Amilcar prefere tratar a experiência como ferramenta para seguir construindo novos caminhos.
Essa visão também aparece quando o assunto é subir ao palco.
Mesmo depois de festivais como Wacken Open Air, Rock in Rio e inúmeras turnês pela Europa e América Latina, ele garante que cada apresentação continua sendo encarada da mesma forma.
“Cada show é único. Não existe essa de jogo ganho. Você tem que estar ali de corpo e alma.”
Segundo o baterista, o respeito ao público impede que a banda entre no palco no automático. Independentemente do tamanho do festival ou da quantidade de pessoas presentes, a preparação continua sendo a mesma.
Essa disposição também explica por que o Torture Squad segue planejando novos passos.
Ao contrário da ideia de desacelerar depois de tantos anos de carreira, Amilcar acredita que ainda existem muitos lugares para conquistar.
Durante a conversa, lembrou da recente turnê europeia e falou sobre países onde a banda ainda pretende tocar, resumindo essa busca em uma comparação curiosa.
“É como jogar War com a sua música. Ainda tem muitos lugares para conquistar.”
Se a estrada continua sendo prioridade, o mesmo vale para o processo de criação.
Enquanto trabalha no décimo álbum, o Torture Squad mantém uma filosofia que acompanha a banda desde seus primeiros discos: compor sem pensar em tendências ou expectativas externas.
“A gente compõe o que sente. Nunca pensamos primeiro se vão gostar ou não.”
Segundo Amilcar, a chegada da vocalista Mayara “Undead” Puertas ampliou as possibilidades criativas do grupo, trazendo novas ideias e influências sem descaracterizar a identidade construída ao longo da carreira.
Essa liberdade também aparece na rotina da banda.
Mesmo entre uma turnê e outra, os ensaios continuam fazendo parte da agenda do Torture Squad. Para o baterista, é nesse ambiente que as músicas ganham forma e que o grupo permanece preparado para a estrada.
Durante a entrevista, ele também compartilhou histórias sobre composições inspiradas por viagens, personagens e acontecimentos vividos ao longo da carreira, mostrando que o processo criativo da banda continua sendo alimentado pelas experiências acumuladas dentro e fora dos palcos.
Ao falar sobre as transformações da música nas últimas décadas, Amilcar fez uma reflexão que acabou se tornando um dos pontos centrais da entrevista.
Embora reconheça a importância da internet para divulgar o trabalho das bandas, ele acredita que nenhuma plataforma digital substitui aquilo que acontece entre músicos e público.
“A internet não entra no lugar de uma banda que quer ser uma banda.”
Na visão do músico, construir uma carreira continua significando ensaiar, tocar ao vivo, dividir experiências e desenvolver uma relação verdadeira com quem acompanha o trabalho da banda.
É justamente essa filosofia que aproxima o Torture Squad de festivais independentes como o Aliança Negra.
Mesmo sendo presença constante em grandes eventos nacionais e internacionais, o grupo mantém uma relação próxima com iniciativas que ajudam a fortalecer o underground brasileiro.
Para Amilcar, esses festivais continuam sendo espaços fundamentais para que bandas, produtores e público mantenham a cena em movimento.
“Os headbangers são a peça fundamental. As bandas estão lá porque existe essa sinergia entre bandas e público. Os promotores precisam desse apoio para manter a cena acontecendo.”
Ao comentar o retorno ao Rio de Janeiro, o baterista foi além do convite para o festival.
Ele aproveitou para defender a importância de prestigiar eventos independentes e fortalecer quem continua investindo na música pesada nacional.
“Não é porque vai tocar essa ou aquela banda. É porque é o Aliança Negra. Quanto mais esses festivais existirem, maior a chance de novas bandas chegarem, de outras bandas voltarem e da cena continuar crescendo.”
Depois de mais de três décadas de estrada, o Torture Squad segue ampliando sua história sem perder de vista aquilo que sempre sustentou sua trajetória. O décimo álbum representa mais um capítulo dessa caminhada, enquanto a participação no Festival Aliança negra reafirma uma relação que a banda nunca abandonou: a proximidade com a cena independente.
Ao longo da entrevista, Amilcar falou sobre passado, presente e futuro. Mas, acima de tudo, deixou uma mensagem clara. Em um momento em que a música vive mudanças constantes, o metal continua encontrando sua maior força naquilo que sempre o definiu: pessoas reunidas em torno da música, seja em uma sala de ensaio, em um pequeno festival underground ou diante de um grande palco.








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