Na primeira noite da Mi’Raj & The Legacy Tour no Rio de Janeiro, o Gargant apresentou sua força ao vivo pela primeira vez, enquanto Edu Falaschi revisitou 35 anos de carreira diante de uma plateia completamente entregue.

Na última sexta-feira, 7 de agosto, o Circo Voador, no Rio de Janeiro, recebeu a primeira apresentação da Mi’Raj & The Legacy Tour, turnê que celebra os 35 anos de carreira de Edu Falaschi e apresenta ao vivo o capítulo final da trilogia iniciada com Vera Cruz, de 2021, e continuada por Eldorado, de 2023.
Mas antes de Edu Falaschi atravessar o palco carregando três décadas e meia de história, uma banda que ainda estava escrevendo seu primeiro capítulo teve a responsabilidade de abrir aquela noite.
E o Gargant não entrou no palco como quem pede licença. Eles ocuparam um espaço que estava pronto para eles.
Uma estreia que não teve cara de estreia
Às 20h30, o palco recebeu o Gargant. Para a banda, aquele não era apenas mais um show. Era o primeiro.

Formado por Guilherme Sevens nos vocais, Caio Mendonça e Leandro Carvalho nas guitarras, Paulo Doc no baixo e Phill Drigues na bateria, o grupo chegou ao Circo Voador trazendo para o palco o universo construído em Dead Night Defiance, álbum de estreia que reúne oito faixas e apresenta uma sonoridade que transita pelo Heavy Metal e Power Metal, incorporando elementos do metal extremo e atmosferas cinematográficas.

O Gargant é uma banda estreante nos palcos, mas seus músicos estão longe de serem iniciantes. A experiência acumulada aparece justamente na segurança com que o quinteto se apresentou. A banda não precisou de tempo para encontrar seu lugar no palco.
A bateria de Phill Drigues foi uma das forças que sustentaram a apresentação. Precisa, pesada e agressiva, funcionou como uma espécie de motor para as guitarras de Caio Mendonça e Leandro Carvalho, que construíram uma parede sonora densa, alternando peso e melodia.
No baixo, Paulo Doc trouxe consistência para a estrutura. E no centro de tudo estava G. Sevens.
O vocalista possui uma presença marcante. Sua voz tem peso, mas não depende exclusivamente da agressividade. Existe dinâmica, teatralidade e uma preocupação evidente com a interpretação.
O entrosamento entre os cinco músicos foi um dos pontos mais fortes da apresentação.
E isso talvez seja o mais impressionante quando lembramos que aquela era a primeira vez que o Gargant subia ao palco.
Dead Night Defiance ganha vida
O repertório apresentado foi construído em torno de Dead Night Defiance, trabalho que começou a ganhar circulação internacional ainda antes da chegada da banda aos palcos.
O álbum reúne faixas como “Stormfall”, “Dead Night Defiance”, “Ghost Riders”, “A Reckoning into the Mourning Hall”, “Fallen King”, “Sons of Chaos”, “Devil’s River” e “Battlechaser”.
Ao vivo, as músicas assumiram uma dimensão diferente.
O que no disco já apresenta uma construção épica e sombria ganhou força e vida no palco do Circo Voador. O peso das guitarras ficou mais evidente. A bateria trouxe impacto. E a voz de Sevens colocou o componente humano no centro de uma sonoridade construída para soar grandiosa.

Essa força também deixa claro que Dead Night Defiance não parece ter sido concebido apenas como uma coleção de músicas. Existe uma identidade ali, uma atmosfera própria que ganha ainda mais sentido quando essas faixas deixam o estúdio e encontram o palco.
E foi justamente ali que o Gargant mostrou a que veio.
A estreia deixou claro que aquela banda nasceu para aquele momento.
E eles fizeram acontecer.
Quando o palco mudou de geração
Depois da apresentação do Gargant, a atmosfera mudou.
Se o primeiro show da noite representava o nascimento de uma nova trajetória ao vivo, Edu Falaschi carregava consigo 35 anos de estrada.
Às 21h40, o palco recebeu o cantor, compositor e produtor para uma apresentação que tinha como principal desafio transformar uma longa carreira em uma única noite.

A setlist percorreu diferentes momentos da trajetória de Edu, atravessando fases da carreira até chegar ao material mais recente. O repertório colocou lado a lado músicas de diferentes períodos, resgatando capítulos importantes de sua história e apresentando ao público a fase atual de sua carreira.
Não era apenas uma sequência de músicas.
Era uma linha do tempo.
Um público que sabia cada palavra
O Circo Voador foi extremamente receptivo durante toda a apresentação.
Mas talvez o maior espetáculo estivesse acontecendo na plateia.
O público cantou junto do começo ao fim.
E não era uma participação limitada aos grandes refrões. Eram músicas que estavam na ponta da língua de quem estava ali.
Essa é uma das coisas mais bonitas de assistir a uma carreira sendo celebrada ao vivo.
Edu percebeu isso e aproveitou a proximidade com o público para conversar bastante durante a apresentação. Entre uma música e outra, relembrou momentos da própria trajetória e falou sobre sua relação com o Rio de Janeiro.
Lembrou o período em que morou e estudou na cidade.
Falou sobre o carinho pelos fãs cariocas.
E deixou claro o quanto o Circo Voador ocupa um lugar especial nessa história.
O Rio não era apenas a primeira cidade da rota.
Era parte da origem dessa história.
35 anos de carreira sem olhar apenas para trás
Celebrar 35 anos poderia facilmente resultar em um espetáculo preso à nostalgia.
Não foi o caso.
A Mi’Raj & The Legacy Tour usa o passado como matéria-prima, mas não foi construída como uma simples retrospectiva. O próprio Edu explicou que o repertório reúne músicas novas, canções que nunca haviam sido apresentadas ao vivo, faixas que não interpretava há décadas e clássicos que fazem parte da história construída ao lado do público.
A escolha faz diferença.

Edu não estava apenas mostrando ao público aquilo que já funcionou. Estava reorganizando a própria história diante de quem acompanhou essa trajetória.
O novo álbum MI’RAJ encerra a trilogia iniciada com Vera Cruz e continuada por Eldorado. O trabalho representa o fechamento de um ciclo, mas também aponta para uma nova etapa.
“Mi’Raj” aparece justamente nesse ponto de encontro entre passado e futuro.
E foi também um dos momentos em que a participação de Veronica Bordacchini ganhou maior significado.
Veronica Bordacchini, uma presença que ampliou o espetáculo
A participação de Veronica Bordacchini foi um dos destaques da noite.
A vocalista italiana, conhecida por seu trabalho com o Fleshgod Apocalypse, participa da faixa “Mi’Raj” e foi anunciada entre as convidadas especiais da primeira etapa da turnê.
No Circo Voador, sua participação foi além da faixa título.
Veronica dividiu o palco com Edu em diferentes momentos do repertório, incluindo “Spread Your Fire”, “Mi’Raj”, “Rebirth” e “Pegasus Fantasy”.
Em “Spread Your Fire”, a presença da cantora trouxe uma nova dinâmica para uma música que já pertence à memória afetiva de uma parcela enorme do público.
A plateia respondeu imediatamente.
Mas foi em “Mi’Raj” que a presença de Veronica pareceu encontrar seu lugar mais natural.
A música representa uma nova fase de Edu. É o capítulo final da trilogia e também uma composição que aproxima diferentes referências dentro do Heavy Metal. A participação de Veronica, nesse contexto, não parece um elemento colocado apenas para criar impacto.
Ela faz parte da própria identidade da música.
Ao vivo, isso ficou ainda mais evidente.
Sob uma iluminação predominantemente azul, Veronica assumiu o centro do palco e dividiu os vocais com Edu. A atmosfera mudou. A música ganhou uma dimensão mais teatral, enquanto o público acompanhava cada movimento.
“Pegasus Fantasy” e a memória afetiva
Entre as músicas mais particulares da noite esteve “Pegasus Fantasy”.
A versão de Edu para o tema de Os Cavaleiros do Zodíaco ocupa um lugar diferente dentro de seu repertório, justamente por conectar o Heavy Metal a uma referência cultural que atravessou gerações no Brasil.
Quando os primeiros acordes surgiram, a resposta da plateia foi imediata.
E esse talvez seja um dos grandes méritos de Edu Falaschi ao construir seu repertório atual.
Ele entende que sua carreira não pertence apenas aos discos.
Pertence às pessoas que cresceram ouvindo aquelas músicas.
A quem descobriu o Heavy Metal através delas.
A quem acompanhou o Angra.
A quem seguiu sua trajetória solo.
E também a quem chegou mais recentemente.
Uma carreira de 35 anos não é feita apenas de lançamentos.
É feita das pessoas que permaneceram.
Quer saber mais sobre Edu Falaschi clique aqui: @edu_Falaschi
Quer saber mais sobre a Gargant clique aqui: @gargantofficial
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