Banda holandesa retorna aos palcos em celebração a um dos discos fundamentais do metal sinfônico e se apresenta em 18 de outubro, no Raven Hall, com Madzilla na abertura

Há discos que permanecem presos ao período em que foram lançados e há aqueles que atravessam o tempo, encontram novas gerações e continuam revelando sua força muitos anos depois. “Decipher”, segundo álbum de estúdio do After Forever, pertence a essa segunda categoria. Lançado em 2001, o trabalho surgiu em um momento de transformação do metal europeu e ajudou a ampliar as possibilidades de uma sonoridade que ainda estava construindo sua identidade. Ao aproximar guitarras pesadas, vocais líricos e extremos, elementos sinfônicos e estruturas progressivas, a banda holandesa encontrou uma linguagem própria e se tornou parte fundamental de uma geração que ajudou a consolidar o metal sinfônico. Agora, 25 anos depois, esse capítulo volta para a estrada. O After Forever acrescentou Brasília à programação da “The 25th Anniversary of Decipher Tour”, e no dia 18 de outubro de 2026 o Raven Hall, no Guará, recebe uma apresentação que também terá o Madzilla na abertura.
A escolha de celebrar “Decipher” não acontece por acaso. O disco representa um dos momentos mais importantes da trajetória do After Forever e também um período em que o metal europeu passava por uma profunda transformação. A banda já havia apresentado sua proposta em “Prison of Desire”, lançado em 2000, mas foi no trabalho seguinte que essa identidade ganhou novas dimensões. O peso das guitarras passou a conviver de maneira ainda mais integrada com arranjos sinfônicos e elementos progressivos, criando uma sonoridade grandiosa sem abandonar a agressividade que sempre esteve presente em sua música. “Decipher” ajudou a estabelecer o After Forever entre os nomes que seriam lembrados quando a história do metal sinfônico fosse contada, e seu repertório continuou circulando mesmo depois que a banda encerrou oficialmente suas atividades em 2009.
O tempo, nesse caso, não apagou a obra. Pelo contrário. Enquanto os integrantes seguiram diferentes caminhos dentro da música, os discos permaneceram encontrando novos ouvintes e mantendo viva a conexão entre o After Forever e o público. O encerramento das atividades não significou o desaparecimento da banda da memória da cena. “Prison of Desire” continuou sendo referência, “Decipher” permaneceu como um dos registros mais importantes de sua discografia e a influência daquele período se espalhou por músicos e grupos que vieram depois. Em 2025, essa história ganhou um novo capítulo quando integrantes ligados à trajetória do grupo voltaram a se reunir na Holanda para apresentações comemorativas. O que poderia ter sido apenas uma celebração pontual acabou mostrando que ainda havia público, repertório e vontade suficientes para levar aquelas músicas novamente para a estrada.
É desse reencontro que nasce a atual turnê. A formação que chega à América Latina reúne Angel Wolf-Black nos vocais, Sander Gommans na guitarra e vocais, Bas Maas na guitarra, Luuk van Gerven no baixo, Jeffrey Revet nos teclados e Ariën van Weesenbeek na bateria. Gommans, Maas e van Gerven possuem ligação direta com a trajetória clássica do After Forever e carregam consigo parte da história que será revisitada durante os shows. A atual configuração também deixa claro que a proposta não é simplesmente reconstruir uma fotografia do passado, mas colocar novamente essas músicas em circulação dentro de uma formação que pertence a um novo momento da história da banda.

Essa diferença é importante porque o After Forever não está tentando fingir que 2001 ainda existe. Vinte e cinco anos separam o lançamento de “Decipher” dos palcos de 2026, e nesse intervalo a música mudou, o público mudou, os próprios integrantes mudaram e uma nova geração chegou ao metal sem necessariamente ter vivido aquela época. O que permaneceu foram as músicas. São elas que permitem que diferentes gerações se encontrem diante do mesmo palco, algumas pessoas reconhecendo imediatamente os primeiros acordes de uma canção que marcou determinada fase de suas vidas, enquanto outras terão a oportunidade de ouvir pela primeira vez ao vivo um repertório que conheceram anos depois através dos discos, das plataformas digitais ou da influência deixada pela banda.
O retorno também carrega uma relação particular com o Brasil. O After Forever esteve no país em 2006, durante o Live N’ Louder, quando “Decipher” ainda tinha pouco mais de cinco anos. Agora, duas décadas depois daquela passagem, a banda retorna em um cenário completamente diferente, justamente quando o álbum completa seu aniversário de 25 anos. O intervalo é grande o suficiente para transformar uma apresentação em algo mais do que uma simples data de turnê. Existe uma camada de memória envolvida. Há quem tenha acompanhado a banda naquele primeiro momento e agora esteja diante de uma reunião histórica, assim como existe uma nova geração que conheceu o After Forever muito depois do fim e terá contato com esse repertório em uma experiência completamente diferente.
E Brasília entra nessa história como uma nova parada de uma celebração que não olha apenas para o passado, mas para tudo o que aconteceu desde então. No Raven Hall, o After Forever terá o Madzilla na abertura, e a presença do trio norte-americano acrescenta outro capítulo interessante à noite. Formado em Las Vegas, Nevada, em 2019, o Madzilla vem construindo sua trajetória através da estrada e de uma sequência crescente de participações em turnês internacionais.

O trio formado por David Cabezas, Courtney Lourenco e Thomas Palmer já dividiu palcos com nomes como Soulfly, Saxon, Tarja, Angra, Go Ahead and Die e Living Colour, além de ter passado pela América Latina em 2026 durante a turnê comemorativa de 40 anos do Living Colour.
O Cogumelo em Cena já acompanha esse movimento. Em julho, registramos a trajetória do Madzilla justamente a partir desse crescimento dentro das grandes turnês internacionais da América Latina, mostrando como a banda vem transformando cada abertura em uma oportunidade de ampliar sua circulação e consolidar seu próprio nome. Agora, o encontro com o After Forever coloca o trio novamente diante de um público ligado a uma geração diferente do metal. Não existe aqui uma atração local servindo apenas como suporte para uma banda estrangeira. Existe uma banda norte-americana que está construindo sua própria trajetória internacional e que chega a Brasília carregando uma sequência de experiências ao lado de artistas importantes do gênero.
É justamente essa diferença de momentos que torna a noite interessante. O After Forever chega carregando o peso de uma obra que ajudou a definir uma geração do metal sinfônico, enquanto o Madzilla está em plena construção de seu próprio legado. Um revisita um disco que completa 25 anos. O outro segue acumulando quilômetros, palcos e histórias que ainda estão sendo escritas. São trajetórias distintas, mas existe uma conexão evidente entre elas: a estrada como espaço de construção, circulação e encontro. É através dela que uma música sai de seu território original, atravessa fronteiras e encontra novos públicos, e é também através dela que bandas de diferentes gerações acabam dividindo o mesmo palco.
Para o After Forever, essa volta tem ainda o peso de revisitar “Prison of Desire”, álbum de estreia que completa 26 anos em 2026, além de outros momentos marcantes da carreira. O repertório funciona, portanto, como uma espécie de percurso pela própria história da banda, passando pela fase em que sua identidade começou a tomar forma até o período em que “Decipher” consolidou uma sonoridade que seria reconhecida internacionalmente. É uma celebração que não depende apenas de uma data redonda, mas da permanência dessas músicas e da capacidade que elas tiveram de atravessar um período em que o metal mudou profundamente.
Talvez seja esse o aspecto mais forte desse retorno. O After Forever encerrou suas atividades há mais de quinze anos, mas a obra continuou circulando. O fim da banda não conseguiu interromper a relação entre aquelas músicas e o público. “Decipher” deixou de ser apenas um álbum lançado em 2001 e passou a ocupar outro lugar, o de registro histórico de uma transformação dentro do metal europeu. Hoje, quando seus integrantes retornam ao palco, não estão simplesmente tentando recuperar um momento que ficou para trás. Estão mostrando que determinadas obras continuam vivas justamente porque encontraram pessoas dispostas a carregá-las adiante.
Brasília será parte desse reencontro no dia 18 de outubro de 2026, quando o Raven Hall receberá o After Forever dentro da “The 25th Anniversary of Decipher Tour”. Ao lado do Madzilla, a noite coloca no mesmo espaço duas bandas em momentos diferentes de suas trajetórias, mas unidas pela mesma lógica que mantém a música pesada em movimento: estrada, palco e público. De um lado, uma banda que ajudou a construir parte da linguagem do metal sinfônico europeu. Do outro, um trio que vem conquistando seu espaço dentro do circuito internacional e transformando cada nova turnê em mais um capítulo de sua história.
Vinte e cinco anos depois, “Decipher” volta para onde sua existência ganha outro significado: o palco. E talvez seja justamente aí que se perceba a força de um disco que atravessou tanto tempo. Ele não precisa ser tratado como relíquia. Não precisa ser protegido dentro de uma lembrança congelada. Basta tocar.
No dia 18 de outubro, em Brasília, o After Forever fará exatamente isso. Vai abrir novamente o arquivo de uma geração, colocar essas músicas diante de um público que mudou junto com elas e provar que o tempo pode transformar uma obra, mas não necessariamente consegue silenciá-la.
After Forever, The 25th Anniversary of Decipher Tour
Data: 18 de outubro de 2026, domingo
Local: Raven Hall
Endereço: SOF Sul, Quadra 9, Conjunto A, Guará, Brasília, DF
Abertura: Madzilla
Ingressos: https://articket.com.br/e/6841/after-forever-em-brasilia?fbclid=PAcGRvZgRleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZAwyNTYyODEwNDA1NTgAAaebrF3aZD1CL8-vYVH_p59N9LNx6fk14i7ParziRYp8dEDkxPtcSWlTo5Z0fg_aem_PL5wZDecZiMAX7wcTXodoA







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