Nesse sabado dia 15 os fãs de música extrema, mais precisamente o público carioca tiveram uma verdadeira imersão na fúria e na resistência do underground global e nacional, com três bandas que representam muito bem a linha de frente do grindcore destrutivo.
A noite estava propícia a danação, e o local de sacrifício se deu no templo profano da música pesada e alternativa. O Garage Grindhouse que fica na Rua Ceará, Rio de Janeiro, espaço de resistência cultural que resgata o espírito da cena alternativa, punk, hardcore e metal extremo, onde a autenticidade e o espírito underground respiram e são valorizados. O ar é carregado de protesto e energia caótica, garantida pelas entidades sonoras Rotten Sound; Baixo Calão e Baga.
A Voz Agressiva da Amazônia; Baixo Calão representando Belém, Pará, Brasil, um dos maiores nomes de grindcore nacional abriu a noite com a experiência do mais puro grindcore extremamente agressivo, marcada por blast beats, vocais guturais e riffs curtos e rápidos, no entanto, a agressão sonora é equilibrada por uma profundidade lírica rara, com letras elaboradas, abordando crítica social, política, religião e existencialismo, repletas de referências filosóficas. O duplo vocal é marcado de forma extridente pelo vocalista Leandro (Porco), que entrega um gutural que beira ao suicidio e rasga a alma propondo uma misofonia catatonica sem precedentes deixando os ouvintes em puro estado de euforia. É brilhante ouvi-lo berrar. É a arte na sua mais pura essencia. A banda, que possui reconhecimento mundial e já tocou no Obscene Extreme Festival na Europa, trouxe a força de sua discografia, incluindo o álbum recente Holocausto Yanomami.



Diretamente de Vaasa, Finlândia eis que surge a tempestade internacional, Rotten Sound, presença internacional do grindcore, que entregou uma performance de velocidade e ímpeto caótico. Liderados pelo vocalista Keijo Niinimaa, eles são mestres na brutalidade feroz e agressão maciça de seu gênero, mas com arranjos eficazes e sutis elementos de death metal. O repertório incluiu a intensidade do álbum Apocalypse, abrindo a selvageria com as faixas Self e Power, beirando a pancadaria com os sucessos Renewables, Void, Insects e Slay, finalizando com a rapida Sell your soul, a brutal Salvation e a clássica Blind! Uma noite memórável na qual quem esteve presente, se deparou com a furia da banda, tal qual um corte seco na jugular, rápido e letal.







Como se a brutalidade já não estivesse em seu auge, os fãs foram acometidos de um miásma pestilento de grindgore (com G) e Brutal Death Metal que finalizou de forma ímpar o evento, Baga estava entre nós, figura constantemente presente na casa, performou um concerto pútrido e brutal que atendeu a todas as expectativas do publico insano e sedento pela selvageria. Formados por Anderson Gore, Hell, Bruno Borges, Celso Pascolato e Leo Crust o quinteto carioca sabe muito bem como executar e entregar uma noite de gala para os amantes do gênero.
A experiência do evento se apresentou num todo enquanto crítica social pesada voltada à desigualdade, à miséria, ao caos e à violência do Estado, temas presentes em todos os sons das bandas, foi como estar no epicentro de um movimento cultural de culto ao grind, com um público tímido no começo mas que aos poucos se digladiavam em mosh pits violentos e brutais, (eu inclusive tomei um soco na cara, faz parte…rs). O Garage Grindhouse, ao sediar este evento com a fúria internacional, a profundidade amazônica e a intensidade local, reforçou seu papel de “hub coletivo” e ponto de encontro para a comunidade underground que acredita no poder da música extrema. É sentir o suor e o peso sonoro que conecta gerações de fãs da música pesada, transformando o caos em um ato de união.








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