Formada em 2006 no Rio de Janeiro, a banda Drama sempre foi um nome de peso dentro do underground gótico e industrial nacional. Após encerrar as atividades em 2016, o grupo voltou à cena em 2023 com uma formação renovada e uma energia que rapidamente chamou a atenção de público e produtores. Quem conversa com o Cogumelo em Cena sobre esse novo ciclo é Eddie Torres, único membro original e responsável pelos vocais da banda.
“A maior conquista é chegar aqui, vivo e trabalhando. Essa é a maior conquista e o maior desafio”, afirma Eddie, lembrando das dificuldades de manter uma banda no underground, especialmente quando se trata da rotatividade de integrantes.
O retorno em 2023 e a abertura para o Deathstars
O ponto de virada veio no ano passado, quando o Drama abriu o show do Deathstars em São Paulo. Para Eddie, esse foi o marco do renascimento:
“Foi o nosso terceiro show depois da volta. A responsabilidade foi enorme, mas a gente matou no peito. Esse momento é um troféu para nós, algo que guardamos até hoje como símbolo dessa nova fase.”
Letras intensas e em português
Um dos diferenciais da banda é cantar em português, algo ainda raro dentro do gênero. Eddie explica:
“Para mim sempre foi muito mais natural escrever em português. Não tenho a pretensão de ser um produto de exportação, prefiro me expressar com profundidade. Isso acabou criando uma identidade forte para o Drama.”
As letras, quase sempre densas e carregadas de melancolia, surgem dos momentos mais sombrios da vida do vocalista:
“Não consigo escrever sobre coisas felizes. Minha vida tem momentos bons, mas eles não me inspiram a compor. Normalmente, a inspiração vem das fases mais críticas, das experiências mais negativas.”
Visual, performance e referências
Além do peso sonoro, a banda também se destaca pelo visual no palco. Eddie reforça a importância desse aspecto:
“Eu fui criado vendo Kiss, Van Halen, Bon Jovi. Ninguém era normal nos anos 80. Esse exagero sempre me impactou e eu levo isso para o palco. O nome da banda é Drama, então queremos entregar espetáculo, não apenas música.”
Novas músicas e futuro
Nos próximos shows, o público vai conhecer composições inéditas. Entre elas, Surfando no Clonazepam e Onde Isso Vai Parar, que devem chegar às plataformas digitais ainda este ano.
“Não sei se vale a pena lançar um álbum agora. O público atual consome mais singles e playlists. Vamos soltar músicas aos poucos e, quando a base estiver consolidada, pensamos em algo maior, até uma turnê nacional.”
A cena underground segue viva
Para Eddie, os eventos de rua e festivais independentes provam que ainda existe um público sedento por novas sonoridades.
“Quem fala que o Rio não tem underground está enganado. No evento Cem Bandas, por exemplo, vimos entre cinco e dez mil pessoas circulando. Existe público, existe interesse — só falta mobilizar.”
Convite ao público
Encerrando a conversa, Eddie deixou um recado para os fãs:
“Dia 31 de agosto estaremos no Fabrique Club, em São Paulo, dividindo o palco com grandes nomes do gótico mundial. É uma oportunidade de viver o underground de perto. Dê valor às bandas independentes, porque são elas que mantêm a chama acesa.”








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