
Há despedidas que doem. E há despedidas que iluminam.
O último show de Glenn Hughes em Porto Alegre, dentro de sua tour final, foi exatamente isso: uma celebração gigantesca da história do rock e um aceno emocionado de um artista que sabe o tamanho do seu legado.
O Opinião estava lotado — lotado de verdade — tomado por um público que cresceu ouvindo sua voz em vinil, CD, streaming e nas histórias de quem viveu a era de ouro do hard rock.
A atmosfera era de expectativa, mas também de reverência.
Hughes abriu a noite com “Soul Mover”, seguido por “Muscle & Blood”, colocando imediatamente a plateia em estado de vibração.
O set seguiu com força, precisão e aquele carisma que só Glenn sabe carregar.
Foi no meio do show, entre uma música e outra, que ele trouxe à tona o episódio que ninguém esperava:
a companhia aérea havia extraviado instrumentos essenciais da banda poucas horas antes da apresentação — um verdadeiro caos de estrada.
E então veio o momento que definiu a noite fora da música:
músicos de Porto Alegre — amigos e admiradores — correram para salvar o show, emprestando guitarras, baixos e o que fosse necessário para que o espetáculo acontecesse.
Glenn, claramente emocionado, agradeceu várias vezes.
Chamou os músicos gaúchos de “lifesavers” e disse que jamais esqueceria aquele gesto.
A casa respondeu com aplausos longos, fortes e sinceros.
A partir daí, o show ganhou ainda mais alma.
“Can’t Stop the Flood”, “Way Back to the Bone”, “First Step of Love” — tudo soou carregado de emoção, como se a banda e o público vibrassem juntos para transformar o perrengue em grandeza.
Mas o momento que gelou a espinha de todos veio com “Mistreated”.
O público cantou o mais alto possível, num coro que ultrapassava a banda, ultrapassava Glenn, ultrapassava a própria música.
Ele deixou o público assumir a canção, fechou os olhos, sorriu — e o Opinião tremeu em uníssono.
Foi histórico, daqueles instantes que definem uma turnê de despedida.
E então veio o desfecho perfeito:
- “Coast to Coast” — suave e sentida.
- “Black Country” — moderna e pulsante.
- “Burn” — o momento em que a casa veio abaixo.
Quando surgiram os primeiros acordes de “Burn”, o Opinião explodiu.
Pulos, gritos, mãos erguidas, riffs atravessando o salão…
Foi um terremoto emocional — uma catarse que pouquíssimos artistas no mundo conseguem provocar.
Glenn encerrou a noite agradecendo mais uma vez a cidade, os fãs e os músicos que salvaram o show.
Saiu do palco com a serenidade de quem cumpriu a missão — e com o brilho de quem incendiou Porto Alegre pela última vez.
Se esta foi realmente sua despedida, então foi perfeita.
Um show intenso, humano e absolutamente inesquecível.stórico e inesquecível.

































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